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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Coloquialismo na sala de aula

A leitora Elizabeth Califrer, em carta ao nosso site, lamenta que “o uso do nosso idioma esteja sucumbindo ao uso meramente coloquial da língua”. Professora de português há mais de trinta anos, ela não aceita que um professor de Língua Portuguesa da escola em que seus filhos estudam tenha usado em classe a expressão “facinho, facinho”.
“É ser enjoada achar que professor de português (principalmente) deve falar corretamente (sem ser pesado) para a criança assimilar o próprio idioma?” -- pergunta. “Então é válido um dentista com dente estragado".
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Não há dúvida de que um professor de português deve ensinar aos alunos o bom uso da língua. Quando digo “bom uso” não me refiro apenas ao que é sancionado pela norma, mas ao registro que melhor se ajusta ao contexto comunicativo.
“Facinho, facinho” é, de fato, uma expressão extremamente coloquial. Resulta da simplificação de “facilzinho, facilzinho” e só se justifica em situações marcadas por certa irreverência e afetividade. Num rápido passeio pela internet encontrei-a, por exemplo, em letra da funkeira Mc Katia (“Vem, vem, prepare o Sabãozinho que ele tá facinho facinho...”).
Um professor de português não está proibido de usá-la em classe, desde que deixe claro para o aluno o tom jocoso, informal e paródico com que o faz. Para dar uma boa aula, afinal de contas, não se precisa usar fraque e cartola.
Grave é se o professor deu a entender que uma expressão como essa tem curso livre e pode ser usada, por exemplo, numa reunião de trabalho ou num artigo de opinião. Se ele fez isso, então está mesmo mostrando suas cáries intelectuais.