quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Roubando a cena no Enem


       Não era fácil fazer fita num tema específico como esse da redação do Enem. Muitos devem ter dado uma panorâmica e abordado o acesso às artes de modo geral. Mas quem agiu assim tratou do assunto, quando era preciso dar um close na “sétima arte”. Havia a possibilidade de fazer uma montagem, utilizando os textos de apoio em primeiro plano e completando com flashbacks sobre temas correlatos. Mas tudo sem cópia, claro, para não dar aos corretores a impressão de que “já viram esse filme”. Se observasse isso direitinho, você poderia roubar a cena e até chegar ao happy end da nota 1000.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Jogos da verdade


       W. J. Solha subintitula seu novo livro, “Vida aberta”, de “tratado poético-filosófico”.  É um subtítulo estranho, pois em princípio filosofia e poesia se excluem – ou, pelo menos, têm muito pouco em comum. Filosofar é basicamente especular sobre o sentido do homem e do mundo, o que demanda o uso de uma linguagem lógica, unívoca, “transparente”. Já poetar é antes de tudo expressar a subjetividade por meio de uma linguagem impregnada de afetos e emoções. Nesse caso prevalece a ambiguidade dos signos, marcados por desvios que comprometem o rigor analítico e conceitual. Como então falar num tratado “poético-filosófico”?
        Se perguntassem isso ao autor, penso que ele não saberia (muito menos quereria) responder. Seu livro se propõe justamente a romper a barreira entre essas duas modalidades textuais. A obra não se encaixa em nenhum modelo, pois o que traz à tona é uma anárquica mistura de personalidades artísticas, sistemas filosóficos, correntes estéticas, num apanhado que resume a visão do autor sobre o homem e o mundo. Nela razão e inconsciente se aliam para produzir um pensar que em que a luminosidade parece arbitrada pelo caos (ou vice-versa). Solha nos traz uma Suma (não teológica, mas escatológica) em que, num jato, procede ao questionamento de uma série de conceitos e crenças produzidos ao longo da Historia.  
            Sua vasta erudição concorre para a amplitude das referências trazidas à obra, mas toda essa soma de conhecimentos apenas confirma o quão insuficiente é o saber humano. A vida transborda dos conceitos, como disse São Tomás de Aquino, e certamente por isso o poeta/filósofo (ou o contrário) não pretende enunciar nenhum tipo de verdade. Diz ele, a certa altura: “...quero,/sabendo,/esse não saber, sabendo, que faz uma aranha,/ feito extraterrestre,/ passar a fiar, sem mestre”. “Não saber, sabendo” é o fundamento socrático das suas especulações, que emergem como um enlace engenhoso e lúdico entre forma e sentido.  
           Antidiscursividade, jogos fonéticos, enumeração caótica respondem pelo que há de poético no texto. O leitor se surpreende com os achados, que apesar de às vezes parecerem gratuitos (ditados pela rima) acabam se revelando descobertas originais. A originalidade se evidencia sobretudo nas comparações, em que se estabelecem nexos imprevistos. Assim é, por exemplo, que “... a mulher... pode não ter o abecê,/ mas seu corpo engendra... um bebê, / como alguém que toque de ouvido... e faça parte – do que duvido – da... Sinfônica... de Stugart (...).” O discreto ceticismo sublinha o inusitado  da aproximação, que, como tantas outras, parece não ter nenhum vínculo.
            Mas esse é o papel da linguagem em sua função poética. Enlaçar aspectos do real por meio de analogias que só o artista percebe, em busca de uma presumível origem comum (ou de origem alguma); superar as dicotomias por meio da representação, que busca dar forma ao caos; “abrir a vida” com imaginação e ousadia, associando o espírito crítico à fantasia poética para com isso fornecer do homem uma imagem o mais possível fiel. Como Solha faz magistralmente neste “Vida aberta”.

domingo, 6 de outubro de 2019

"Coringa" ou a tragédia do riso

Em certo momento de “Coringa”, o personagem principal afirma que sua vida é uma comédia. Isso parece incongruente para quem lhe acompanha a sofrida trajetória, mas resume bem o espírito do filme: mostrar como o trágico e o cômico podem se confundir. O riso do personagem é um exemplo disso. Não passa de um conjunto de esgares compulsivos que nada trazem de alívio ou gozo espiritual; são um sintoma da doença neurológica que o acomete. Lembram a “ironia infausta” de que fala Augusto dos Anjos em “Monólogo de uma Sombra”. Quem é o Coringa, afinal, senão uma Sombra que monologa em busca de amigos, sucesso e amor? A vida lhe nega tudo isso.
Coringa não tem talento humorístico e jamais seria um astro de stand up, como era seu sonho. Na única vez em que tenta, expõe-se ao ridículo. Está mais para palhaço. Um humorista ri das falhas dos outros, enquanto que um palhaço faz os outros rirem das suas (sejam elas simuladas ou não).
O fracasso do personagem nivela-o aos muitos palhaços que em cidades como Gotham City (emblema das metrópoles capitalistas) sobrevivem à margem do sistema. Ele mora num apartamento apertado, sujo, e depende do governo para tomar os sete remédios de que precisa a fim de não enlouquecer de uma vez. É um solitário a quem faltam pai e mãe. Seus algozes são o egoísmo e a indiferença de uma sociedade cujos membros não enxergam os outros (em dado momento, o personagem se queixa à assistente social de que ela nunca prestou atenção ao que ele disse). 
Tudo no filme funciona bem: a música sombria, wagneriana, que sublinha o clima agônico da narrativa; o visual trash, que acentua o lixo no qual os “palhaços” se apertam num simulacro de vida; a interpretação de Joaquin Phoenix, modulada entre o compassivo, o histriônico e o ferozmente mordaz com que, no final, o personagem celebra o encontro consigo mesmo. A direção explora com êxito espaços decadentes da metrópole – becos, corredores e escadarias onde Coringa (numa espécie de paródia dos musicais hollywoodianos) encena a sua coreografia de dor.
         Os críticos costumam apontar a identificação que existe entre Coringa e Batman, o super-herói que vai combatê-lo. Lembram como, por diversas vezes, um salva o outro do perigo. A nenhum dos dois interessa que o outro morra, pois são na verdade duas faces de um mesmo ser. O bem só se define em contraste com o mal.
          Essa é a explicação mais comum para o empenho de ambos em que o adversário sobreviva. Sem desmenti-la, o filme sugere outra. É numa das sequências finais, quando o menino Bruce (que viria a ser o Batman) olha desalentado os pais mortos. Essa orfandade o identifica com o rival e o torna capaz de compreendê-lo.  A percepção de que a ambos foi infligido o mesmo tipo de perda, em razão da frieza de uma sociedade desumana, mostra a cada um que não está no outro o real inimigo.



terça-feira, 1 de outubro de 2019

O quase facínora


           O problema da indisciplina na escola estava sério, por isso o diretor convocou uma reunião dos professores com os pais dos alunos. Ultimamente houvera episódios graves – um deles envolvendo o professor Astrogildo (por sinal, um dos mais detestados da escola). Ele se dirigira a uma aluna e, diante da turma, dissera que ela não tinha futuro; era bagunceira demais para esperar coisa boa da vida. A menina saiu da classe chorando e foi para casa mais cedo. 
           O pai dela agora estava ali, na primeira fila, encarando Astrogildo com um ar pouco amigável.
          O diretor começou:     
            – Bem senhores, há muitas coisas a discutir. Como sabem, a bagunça dos alunos chegou a um nível insuportável. Isso tem levado alguns professores a atitudes extremas... Vamos começar pelo caso de Beatriz (era esse o nome da garota).  
           Astrogildo pediu a palavra. Com a calma que lhe era própria, explicou que a aluna estava muito rebelde naquele dia. Ria e incomodava as colegas. E o pior: ficava o tempo todo olhando o celular, embora...
           O pai de Beatriz não esperou que ele terminasse. Levantou-se e acusou:
            – Quando minha filha chegou em casa ainda com lágrimas nos olhos, não suportei o seu ar de humilhação. Ela tinha sido vítima de bullying (não havia outro nome) praticado pelo próprio professor.
           Fez uma breve pausa, olhando as pessoas em volta, e continuou:   
            – Vou dizer uma coisa que não pretendia confessar a ninguém. Naquele momento, pensei em matar o responsável pela agressão. Pensei, não. Decidi. Ia tirar a vida dele e me suicidar. Cheguei a ir à escola com uma faca embaixo da camisa e ficar de tocaia esperando que ele saísse.
           A sala o contemplava estarrecida. Astrogildo, entre sério e intrigado, acompanhava o desenrolar da história. Leopoldo continuou:  
            – Fiquei escondido num arbusto até que vi ele se aproximar. Apertei o cabo da faca, mas no momento em que ele passou rente a mim mudei de ideia. Vi que aquilo não era o melhor a fazer. Guardei a arma no bolso e voltei para casa.
            A assembleia olhava-o com um ar de recriminação. Parecia que estavam diante de um ser desprezível. Astrogildo aproveitou a oportunidade para contra-atacar:      
           – Vejam vocês! O pai da garota que eu tentei corrigir vem a este recinto e se revela um potencial facínora. Eu agora podia estar morto.
          – Eu também! – lembrou o pai de Beatriz, ainda constrangido com a reação da plateia. Astrogildo voltou à carga:
          – Esse homem confessa que tentou me matar e guarda uma arma em casa. Enquanto essa faca não for apreendida, não vou conseguir dormir. Exijo que se comunique imediatamente o caso à polícia.
          Leopoldo voltou a se sentar, em meio ao burburinho dos outros pais e professores. Uma mãe que estava junto dele resolveu, prudentemente, se sentar umas duas filas atrás. Não sabia o que era “potencial facínora”, mas sentiu que não se podia facilitar com gente desse tipo.
       Vendo que a reunião precisava de um rumo, do contrário não se decidiria coisa alguma, o diretor resolveu falar.    
       – Senhores, calma.
         Como manter a calma? – protestou Astrogildo. – Ele confessou que ia me matar! Pode muito bem vir a fazer isso. Não se deve subestimar as ameaças de uma pessoa desequilibrada.  
       – Professor Astrogildo – continuou o diretor –, vamos avaliar  racionalmente os fatos. Leopoldo teve um impulso provocado pela humilhação a que o senhor submeteu a filha dele, mas tudo não passou disso. Na hora H, ele cedeu ao bom-senso. Ficou tão próximo do senhor, era fácil desferir o golpe – mas retrocedeu por um apelo da consciência. Que potencial criminoso agiria assim?
            A plateia ficara em silêncio. Parecia refletir sobre as palavras do diretor, que calmamente continuou sua fala:
           – Impulso todos temos. Ter moral não significa ser destituído de impulsos, mas resistir a eles. Quem já não pensou em bater, ferir ou mesmo matar alguém? Os que cedem a esse tipo de apelo se curvam à besta que têm dentro de si. Os que não cedem, e suplantam o instinto, demonstram respeito pelo ser humano.
             – Balela! – protestou Godofredo. – Ele ia me matar. E também se matar para não ter que enfrentar a Justiça.
             – Não seria um preço muito alto, professor? Desde quando alguém troca alguns anos de cadeia pela própria vida?    
            Depois dessas palavras, o ritmo da reunião ficou menos tenso. O diretor sugeriu que se mudasse de assunto, pois havia outros casos de indisciplina a comentar.   
           Leopoldo se levantou em silêncio e foi embora. Chegando em casa, abraçou a filha e pediu que ela tentasse se comportar melhor na classe. Era um dever. Além disso, não devia dar pretexto a pessoas como Astrogildo manifestarem sua arrogância.
          – Vá por mim, filha. Ouça seu pai, que tem bom-senso e respeito pelo ser humano... Acabei de ouvir isso, entende? Eu podia estar agora humilhado, respondendo a um interrogatório.
         – De que é que o senhor está falando, pai?
         – Nada não. Vá fazer as lições de amanhã.

sábado, 14 de setembro de 2019

"Bacurau" (contém spoiler)


“Bacurau” é uma alegoria sobre o nosso subdesenvolvimento. Uma espécie de “Terra em transe” Hi Tech, pois nele os bandidos usam drones e os habitantes da cidade que dá título ao filme têm telefones celulares (mas num momento crucial de suas vidas não conseguem se comunicar com ninguém e se tornam são socialmente invisíveis – tão remotos como se fossem observados do espaço sideral).
A trama é secundária em relação às contrastantes imagens dos despossuídos de dinheiro e poder. Eles vivem como animais, cultivando a nudez despudorada e a sexualidade promíscua. Afinal de contas, não existe pecado do lado de baixo do Equador. A religiosidade encarnada na mulher cujo velório se celebra no início do filme apenas confirma a alienação da maioria dos habitantes, que (evocando o pássaro que dá nome à cidade) parecem viver no escuro.
Essa mulher era para o povo uma espécie de bastião das virtudes, no entanto, a julgar pelas palavras da médica que a descompõe em plena vigília fúnebre, não passa de um logro. Interpretada por Sônia Braga, a médica é um dos personagens mais interessantes do filme. Alcoólatra, está de porre quando diz conhecer na intimidade a morta que o povo ingenuamente cultua. Mas não há por que duvidar de suas palavras; bêbados costumam dizer a verdade. A professora ilustra a ambiguidade moral que impera na cidade ao transformar um cômodo da escola em motel (ou talvez num bordel; isso lá faz pouca diferença).
A cidade tem um museu que a orgulha, mas nada lucra com ele. O prefeito demagogo, do qual se poderia esperar estímulo à cultura e ao turismo, é mancomunado com os estrangeiros que começam a invadir o lugar. Nessa invasão há um óbvio simbolismo, mesmo que o chefe do grupo seja um alemão e não um... norte-americano.  O que o filme tematiza, no fundo, é a velha dicotomia imperialismo versus subdesenvolvimento; exploradores versus explorados. Mas tal simplificação não empobrece a obra, graças à criatividade das imagens e a um roteiro em que se associa o naturalismo sintonizado com a mundividência dos habitantes a algumas notas de humor.
O final sanguinário é uma espécie de acerto de contas. Não se sabe como o negro e a mulher de úberes portentosos (referência felliniana em que a sexualidade dá lugar à força nutriz) têm acesso às armas com que mutilam os estrangeiros. Pouco importa, pois o que conta é o desafogo da revanche, que coroa o ressentimento (ou melhor, o ódio) contra o inimigo invasor.  Mas a maior catarse é propiciada pelo destino dado ao prefeito, cuja hipocrisia e desonestidade evocam os nossos maus políticos. Seu banimento entre protestos inúteis provoca risos e aplausos da plateia. É uma imagem com a qual ninguém no cinema deixa de se rejubilar.

sábado, 20 de julho de 2019

Divagando se vai longe (19)

        
          A devoção conforta independentemente do objeto a que se destina. Subtrai-nos à gratuidade, que sempre é motivo de inquietação. A entrega a uma crença, um projeto, uma pessoa dá-nos a sensação de que possuímos a nós mesmos. Peregrino da liberdade, o homem parece que só se tranquiliza quando a ela abdica. Mas é preciso escolher muito bem em prol de quem fazemos isso.
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         O humor comporta alguma dose de sadismo (ri-se de algo ou de alguém). Mas é um sadismo benigno, que aponta falhas e desproporções para corrigi-las, e não para satisfazer a perversão. O sádico inflige dor a outrem visando unicamente ao próprio prazer. O humorista quer que os outros riam.
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 No jogo da nossa vida, chega o dia em que o “tempo regulamentar” esgota e ficamos... por conta do juiz. Só nos resta torcer para que ele vá esquecendo o apito.
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Os livros que nos marcaram são por nós continuamente reinterpretados. Não precisamos relê-los para lhes atribuir novos sentidos. À medida que deles nos distanciamos no tempo, mais os sentimos próximos. A maturidade nos faz descobrir o que não tínhamos percebido em leituras anteriores. Os bons livros são sementes que em nós se multiplicam e nos fazem crescer.
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Falar dos outros é catártico. Quando fazemos isso, nos compensamos do que não conseguimos fazer (e ser). Alguém já se referiu à utilidade psicológica da fofoca, que nem sempre é verdadeira (mas se for, melhor). A fofoca mostra que o ser humano vive em competição com os outros. Saber de um traço negativo deles tem um sabor de triunfo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Divagando se vai longe (18)

           A Justiça não tem religião, pois independe de crenças. Seu referencial deve ser a verdade, e não o dogma. A consciência de um juiz não pode estar comprometida pelos apelos subjetivos e emocionais implícitos na escolha desta ou daquela religião. Não pode ser toldada por uma visão de mundo particular, que vê com reservas e às vezes com hostilidade outras visões.
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Quando se quer criticar alguém de direita, diz-se que é de “extrema direita”. Quando se quer criticar alguém de esquerda, diz-se que é de “extrema esquerda”. Ser esquerda ou direita, tão-somente, parece que não é problema. O mal ocorre quando se agrega a um desses rótulos o adjetivo “extremo”. Daqui a pouco, para criticar um moderado, vão chamá-lo “extremista de centro”.
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Não acredito em Deus, mas sei que Ele me perdoa por isso. Minha descrença é um modo de afirmá-lo, pois ninguém se dá ao trabalho de negar o que não existe. O problema não é saber se Deus existe ou não, mas sim em que medida a crença ou descrença nele determina o nosso comportamento.
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           Viver é fazer. Não necessariamente para “ficar”, mas para justificar a existência e dar ao tempo um emprego — vale dizer: um sentido. A vida tem sentido para os que, fiéis a si mesmos, empregam seu tempo em realizar aquilo para o qual vieram ao mundo.
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          Sempre que me sento para escrever, me sinto desafiado. Escrever requer muita responsabilidade. Tem um dimensão ética, pois implica respeito pela língua. É preciso senti-la, sondar as suas possibilidades, conhecer e seguir determinadas regras — mas às vezes transgredi-las. A língua tem uma verdade que se expressa por meio de uma retórica. A retórica guia o pensamento (ou melhor, coreografa-o) e disso resultam não só efeitos estéticos, como também novas revelações sobre o homem e o mundo.         

Roubando a cena no Enem