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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sologamia

Uma italiana resolveu se casar consigo mesma (sologamia). Fico imaginando como deve ter sido a noite de núpcias.
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O inconveniente de se casar consigo mesmo é que não há possibilidade de sobreviver ao cônjuge. Em compensação, também não se padecem as agruras da viuvez.
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O pior não é se casar consigo mesmo. É chamar a ex-esposa para ser madrinha!
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A sologamia permite que se realize um apreciado mito romântico ligado ao casamento: o enterro dos dois no mesmo túmulo.
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Quem pensa que se casando consigo mesmo não corre o risco de ser traído, está enganado. A coisa mais difícil para o ser humano é ser fiel a si mesmo.


domingo, 10 de setembro de 2017

Diálogos (18)

-- Minha mulher disse que me ia me deixar se eu continuasse acordando tarde.
-- E o que foi que você fez?
-- Joguei fora o despertador...
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Na hora de pedir a cerveja, ele se confundiu:
-- Uma ruiva devassa.
Ou terá sido o inconsciente?
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-- Um tema de redação eu tenho certeza de que não cai no Enem: “Água”.
-- Por quê?
-- É fácil vazar!    
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-- Deixei o sexo de lado.
-- Eu também. Agora só quero fazer de frente.
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-- Você precisa correr das tentações, filho!
-- Eu tento, padre. Mas elas são mais rápidas...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Zanzoando (8)

         O riso denota resignação diante do desespero. Ele pode existir mesmo no limite, quando não há mais saída. Ao pular de um prédio, o palhaço sonha fazer uma acrobacia para divertir quem porventura acompanhe sua queda. E o humorista deixa um bilhete para os familiares:
         -- Vou dar um pulinho lá fora e não volto.
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            Modernidade
-- Minha mulher me traiu!
-- Procure alguém e dê a ela o troco, ora!
-- Como? Foi com o meu namorado!
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A revista Língua Portuguesa (Segmento) fez uma pesquisa para saber qual a maior palavra do português. Quem pensou que ganharia “anticonstitucionalissimamente” se enganou. Essa ficou em segundo lugar, com 29 letras.
A campeã foi “pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico”. Ela tem 46 letras e designa “quem caiu doente por aspirar cinzas de um vulcão”.
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Antigamente se falava em “arroz de festa”, que era aquele personagem que comparecia a todos os eventos mundanos. Hoje ocupa o lugar dele o “arroz de foto”, cuja imagem se multiplica nas redes sociais.
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Conta-se que, ao saber do boato de que seria homossexual, Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) comentou:
-- O pessoal exagera um pouco...

Falando sério

    O Dia da Pátria merece uma reflexão, digamos, positiva. Nós brasileiros costumamos brincar com tudo (ou quase), mas chega o momento em que precisamos falar sério. Pois a verdade é que amamos o Brasil. Sonhamos deixar de lado o velho “complexo de vira-latas” e assumir o garbo varonil de um pit-bull (se exagero, permitam-me sonhar com essa possibilidade). Sou patriota (sem dar bandeira...), por isso encaro com otimismo e esperança as tenebrosas revelações que têm sido feitas sobre a corrupção.
          O que move um delator é em princípio o medo de ser preso (ou de continuar na prisão). Dá para entender isso. Afinal, uma cela de penitenciária não é o melhor lugar para receber a visita dos netos. Mas acho que a esse medo acrescenta-se outra coisa. Algo como a lenta percepção de que se chegou ao fundo do poço e está na hora de pelo menos tentar um basta. “Tentar”, para trazer alguma paz à consciência. O ser humano responde à atmosfera social, ao espírito do tempo, e todo esse atual empenho em investigar, acarear, punir acaba sensibilizando mesmo a consciência mais empedernida.
         Quem se dispõe a fazer um “pacto de sangue” para preservar seus cúmplices, o que não fará se for convencido de que a grande meta, o objetivo pelo qual realmente vale a pena morrer é harmonizar o bem pessoal com o da coletividade? É pensar nos outros? Acho que tudo ficará melhor se cada delator for com o tempo se revelando não um cético, não um cínico, não um prático -- mas um arrependido. Existe muito pecado do lado de cá do Equador, e o sentimento de culpa (quem sabe?) poderá salvar o Brasil.