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quarta-feira, 29 de maio de 2019

"Jenifer"

De repente acontece o que não podia nem devia acontecer. Ressentidos e perplexos, falamos do imponderável ou do acaso.
O acaso não tem deliberação; é de alguma forma produto do nosso descaso. A inflexível mão do destino sempre depende de uma mãozinha nossa. Se um avião voa de forma irregular, não se pode esperar que bons ventos o conduzam ao término da viagem.
Eu conhecia pouco Gabriel Diniz, mas admirava-lhe o rock eletrizante e de fácil apelo. “Jenifer”, seu maior sucesso, reflete a energia que ele costumava imprimir a suas interpretações e parece que só poderia ser cantada por ele. Transformá-la num réquiem, como estão fazendo agora, é uma boa maneira de preservar a sua vigorosa imagem.
O nome, Gabriel, induz à tentação literariamente medíocre de dizer que “mais um anjo adentrou os espaços celestiais”. Menos do que o clichê, no entanto, o que desautoriza dizer isso é imaginar que o cantor não gostaria nada da comparação. Anjo, ele, com aquele espírito travesso e o gingado demoníaco que inflamava as meninas?
Digamos apenas que morreu um rapaz alegre e de grande talento artístico. E que os responsáveis por essa morte têm que pagar aqui.

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