A nova rotina oferece-nos a possibilidade de
resgatar antigos prazeres. Por exemplo, passear de carro. Ninguém faz mais isso,
pois o automóvel hoje é basicamente um instrumento utilitário (além de um
agente neurotizante). Mas tenho gratas lembranças dessa prática. Em Campina, onde
a família não tinha carro, meu Tio Emídio sempre me pegava à tardinha para um
passeio. Reencontro a emoção que isso provocava ao seguir com a mulher e uma de
minhas filhas pela orla do Cabo Branco. É o máximo que nos concedemos em termos
de fuga ao isolamento. De repente, lá está o mar, que eu não via há anos! Passava
por ele, olhava-o com distração e seguia rumo
às tarefas diárias. Agora, enquanto o carro desliza com os vidros semiabertos,
contemplo-o num vagar poético e meditativo. Que beleza esse azul-esverdeado sobre
o qual cintilam breves raios de sol! Alguém propõe que desçamos para dar uma
respirada e, por que não?, fazer uma selfie. Não corri pela praia nem tomei banho de mar,
mas poucas vezes o meu encontro com ele foi tão reparador.
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Pois é Chico Viana... como a correria antes da quarentena lhe impedia de enxergar e contemplar à natureza, do aconchego da família nas caminhadas prazeirosa de carro. E , me questiono... pra que tanta pressa, pra que tanto estresse, pra que tanta correria. Aposto que quando passar esses tempos sombrios vai ficar a lição de vocês permitirem viver, curtir os momentos e saborear o melhor da vida enquanto há tempo.
ResponderExcluirEspero mesmo que a quarentena propicie um reflexão sobre essa pressa que tomou conta de nós. Abraço!
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