A função da publicidade não
é apenas vender.
É despertar em
nós recônditos
impulsos, criando necessidades
até então
inexistentes ou,
pelo menos,
ignoradas. O comercial age um pouco como a droga, que o indivíduo
propenso ao vício
despreza enquanto
não conhece. Depois
de tê-la experimentado, não consegue mais viver sem ela.
A publicidade também
faz registros curiosos
e sintomáticos da vida moderna, funcionando como
documento antropológico ou retrato psicológico da sociedade atual. Nesses casos, tem muito
pouco de invenção.
Em vez
de se antecipar à realidade,
como obra
de ficção que
é, capta o que está nela disperso.
Me lembro, a propósito, de um
comercial sobre uma marca de carro exibido
há algum tempo na TV. Um pai, depois outro e mais outro levam seus
filhos ao colégio.
Os meninos vão
ansiosos, preocupados. Pedem aos velhos que não parem o automóvel na entrada da escola,
onde como
é natural se agrupa muita
gente. Os pais
não entendem, desconfiam de que alguma coisa está errada.
Supõem então que os filhos temem o julgamento dos colegas por estarem naqueles
carros feios, ultrapassados.
Não
havia nessa mensagem publicitária nada
de novo. O comportamento
dos garotos ainda é muito
comum nos
dias que
correm. E não só
quanto ao carro.
Já ouvi de alguns
pais que
seus filhos
se envergonham da casa, da roupa, do computador
superado que têm em
casa.
O problema
é que, ao documentar
esse tipo
de reação, o comercial
praticamente o endossava. Apresentava como legítimo o ressentimento dos meninos. Mas quem era o verdadeiro
culpado por tal ressentimento?
Subliminarmente, a peça
publicitária dava a entender que o motivo da vergonha dos filhos não eram os automóveis. O motivo
eram os pais, que não
tinham dinheiro ou discernimento para comprar coisa melhor. Os pais
é que os garotos, encolhidos naquelas “carroças” fora de moda, gostariam de esconder dos colegas.
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