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domingo, 18 de setembro de 2016

Metafísica do banheiro

Uma das vantagens de viver só é não ter que esperar para ir ao banheiro.
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Uma privada para uso público é uma contradição em termos.
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Poucos lugares mostram tanto o contraste entre o corpo e o espírito quanto o banheiro. Nele o indivíduo pode, enquanto “se alivia”, imaginar o começo de um poema. E quem garante que a arte abstrata não nasceu de uma prisão de ventre?
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Para muitos, o banheiro é o único lugar de refúgio e solidão – isso até que gritem do outro lado: “Já está perto de terminar?”.
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O risco de casar com alguém claustrofóbico é ter que suportar o banheiro aberto quando ele devia estar fechado. 
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Bem-aventurados os que cantam no banheiro. Esses cantam para si, com alma, independentemente do aplauso alheio. Pouco lhes importa se desafinam. Querem é espantar seus males sob a água alegre, e os outros que tapem os ouvidos.
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Os que transam no banheiro estão mais próximos da animalidade própria do instinto sexual. E são mais objetivos. É lá, afinal de contas, que tudo termina.        
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“Estar no trono” é uma das mais irônicas expressões da nossa língua. Aplicá-la a uma atitude tão prosaica como a de sentar no vaso sanitário é uma forma de escarnecer da nossa pretensa superioridade. É pôr em xeque a suposta realeza de um bicho que se imagina superior, mas come e... descome como os outros.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O complô

               
 Não se sabia se aquilo era uma assembleia ou um bate-boca de desocupados. O certo é que estavam reunidos uns tipos estranhos – umas figuras! A primeira a falar foi Metáfora, que desde o início, contra a opinião de Metonímia, autointitulara-se chefe do grupo:
-- Amigos, vivemos a aurora de um novo tempo. Basta de espoliação! O Escritor nos usa o tempo todo e depois é dele a glória, os louros, a academia... Nós é que somos imortais. Queremos nossos direitos.  
-- As figuras, unidas, jamais seremos vencidas... – entoou Silepse.
 Mal ensaiava o coro, no entanto, foi interrompida por Metonímia, que resmungou:
 -- Não aceito o seu cajado, ó Metáfora. O cabeça aqui devo ser eu. Como podemos aceitar um líder que o tempo todo muda de sentido?
-- Mas que arrogância! – objetou Metáfora. -- Até para dizer isso você se utiliza de mim. “Cabeça” na sua frase é metáfora. como sou importante?
Metonímia não se deu por vencida:
-- O seu destino é ser como aquela ali – e apontou ao longe Catacrese, que desgastada e sem brilho jazia no olho da rua, ou seja, num lugar-comum.
-- Sabe por que aconteceu isto com ela? – insistiu Metáfora. – Porque se deixou usar demais. Agora não impressiona nem comove. E será esse o meu, o seu, o nosso destino se não nos rebelarmos agora contra o Escritor. Que ele reconheça a nossa força e o nosso brilho. Ou então, que fique de uma vez nos braços daquela outra – e olhou desdenhosamente para Gramática, que a tudo assistia, impassível, no outro extremo da sala.
A essas palavras, um frisson percorreu a assembleia. Cochichos, uivos, gritos marcaram a adesão ao ponto de vista de Metáfora. Era preciso fazer ver ao mundo, com todas as letras, como elas sempre foram exploradas pelo Escritor. se atribuíam a ele o mérito e o talento pelos textos que escrevia, mas de onde vinham na verdade a graça, o vigor, a beleza de suas produções? Vinham delas, figuras, que não mereciam do ingrato um registro de rodapé.
Cada qual tratou de externar o seu ressentimento. Hipérbole era a mais exaltada: “Vamos prendê-lo e crucificá-lo!”. Felizmente essa conclamação não sensibilizou a todos, esbarrando no bom senso dos mais ponderados. Lítotes preferiu comentar que o Escritor, de fato, não era muito honestoopinião compartilhada por seu pai, Eufemismo. Elipse nada disse, mas fez questão de dar a entender o que pensava.
Perífrase começou, fleumática:
-- Colegas, antes de manifestar o meu juízo sobre o assunto desta pendência, o qual pretendo seja o mais isento possível, levando em conta não apenas os argumentos aqui apresentados por Metáfora, como também... – mas o auditório, aos gritos de “Vamos aos finalmentes!”, não deixou que ela terminasse.
Anacoluto foi sucinto: “O Escritor, vamos dar cabo dele” – e esse apelo, conquanto ferisse os ouvidos de Eufonia (que se retirou, aborrecida, alegando questão de ordem), concorreu para que o auditório tomasse uma decisão: trazer o Escritor ao plenário e pedir-lhe que, dali em diante, informasse a todos de quem dependiam os méritos de seus textos. Ou isso, ou o abraço frio de Gramática
-- Quero ouvi-lo dizer com as próprias palavras que os verdadeiros criadores somos nós – enfatizou Pleonasmo sob o aplauso geral, ao mesmo tempo que Sinestesia murmurava consigo, amedrontada: “Ih! Sinto cheiro de barulho...”.
Pouco depois o Escritor entrava na sala e ouvia as reclamações do grupo. Enquanto Metáfora lhe anunciava a sublevação e as opções que lhe restavam, ele podia ver do outro lado Gramática sorrindo e lhe mostrando as algemas – umas algemas simbólicas, disfarçadas num monte de normas, regras, hábitos que pareciam ao Escritor a morte do sonho, da invenção, da ousadia.
-- Seja o que for que vocês queiram, eu cedo – disse ele assustado. – De agora em diante, a glória do que eu escrever será de vocês. Mas tem o seguinte – seguiu-se uma pausa tensa, em que cada figura arregalou os ouvidos e os olhos: – De vocês quero também o sangue, os nervos, os sonhos e o medo de morrer. Sem essa vibração e sem esse temor, que são o combustível de tudo que escrevo, nenhuma de vocês me serve; nenhuma de vocês funciona – assim como um corpo não funciona sem desejo e sem alma.
Ouvindo essas palavras, Metáfora desabou. Literalmente



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Do baú (11)

As redes sociais criaram um tipo estranho de relação entre as pessoas: quem delas participa não está só, mas também não está acompanhado.
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O Facebook é um micromundo. Como tal, reflete a realidade do espírito humano, que oscila entre a comiseração e o despeito. Muitos que curtem não leem, e muitos que leem não curtem. Felizmente existem as boas exceções, que fazem as duas coisas.
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Frequentemente sou assediado na internet por dois tipos de pessoa. O que quer me converter e o que quer me perverter. Resisto com igual ênfase aos dois por fidelidade tanto ao livre pensamento (o maior bem do homem) quando à minha identidade sexual (o maior bem da minha mulher).
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A política é a única atividade para a qual a pessoa não precisa se formar. Exerce sem diploma, como outros fazem bicos. Você conhece algum parlamentar formado em ciência política? Quem tem esse título geralmente não participa do jogo partidário e quando o faz se dá mal. É que para esse jogo a habilidade exigida é outra e dispensa a chancela de um diploma. Atenção, isto não tem nada a ver com a possibilidade de um analfabeto chegar à presidência da República. O problema, bem postas as coisas, não está no grau de instrução; está na competência e na seriedade de propósitos, que na maior parte das vezes estão associadas a um saber.
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Segundo o cristianismo, o preço do pecado é a morte. Se não tivesse pecado, por meio de Adão, o homem seria eterno. Como os outros animais também morrem, das duas uma: ou eles também pecaram, ou são vítimas de uma tremenda injustiça divina.
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Por meio do casamento, escolhemos não apenas quem será a mãe dos nossos filhos ou com quem vamos dividir as dificuldades do dia a dia. Escolhemos também com quem vamos envelhecer. E se o destino do envelhecimento é a morte, pelo casamento decidimos com quem vamos morrer. Esse é o grande teste para o amor. Amar quem nos gratifica é fácil, pois atende à cota de egoísmo presente em cada ser humano. Difícil é amar quem dá trabalho e tem pouca, ou nenhuma, capacidade de retribuição.
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Para o artista, a eternidade está no próprio ato de criar. É por esse ato que ele vive a transcendência da sua arte. Caso ela “fique”, ficará para os outros. O artista, enquanto homem, não sentirá o benefício da glória. Já o momento de fazer é tão-somente dele. 

De convicções e provas

Os versos abaixo não representam propriamente minhas... convicções, mas não deu para resistir ao mote:

Jesus Cristo era um romano
infiltrado no povão.
Hiroshima foi desfeita
com uma bomba de São-João.
Hitler era um cruzamento
de judeu e alemão.
NÃO TENHO COMO PROVAR,
MAS TENHO CONVICÇÃO.

Bin Laden vai virar santo
por seu grande coração.
Eva, em vez de maçã,  
deu uma pera a Adão.
O que não há no Brasil
é político ladrão.  
NÃO TENHO COMO PROVAR,
MAS TENHO CONVICÇÃO.

Dei uma finta em Zico  
e dois “lençóis” em Pelé.
Aqui em casa mando eu –
sabe bem disso a mulher.
Fiz ópera com Pavarotti
e alisei o cangote  
da Piovani e da Brunet.
Quem duvida do que eu digo
atente bem no refrão:
NÃO TENHO COMO PROVAR,
MAS TENHO CONVICÇÃO. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Aceitação

Estar aqui é por pouco tempo.   
Sei disso e não lamento.
Nada que existe se eterniza,
e daí vem nossa grandeza:  
         arder como uma lâmpada  
         enquanto está acesa.                 
         Querer mais do que isto só revela 
         a incompreensão do que é a natureza.
                  
         (da série “Meus pecados poéticos”)  

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Dicas de estilo (sem estilo)

(ou:  Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço)  
                                             
1 - Interjeições excessivas? Evite-as!!!!

2 - Não abuse de metáforas futebolísticas. Esse tipo de tabelinha com a linguagem do futebol nem sempre satisfaz a galera. O leitor pode se sentir driblado e dar cartão vermelho para o escritor, mandando-o antes do tempo para o chuveiro.

3 - Falhas na concordância e na coesão denuncia falta de conhecimento gramatical. Evite-a.

4 - Não misture as pessoas gramaticais. Tu podes fazer isso quando usares a linguagem coloquial, mas nunca em sua redação para vestibular ou concurso. Nela escrevemos com alguma formalidade e você tem que seguir a norma culta.

5 - Das inversões fuja. Comprometem elas das ideias a clareza.

6 - Evite repetições, pois elas dão a impressão de que o texto não progride. Repetir gera no leitor a sensação de que as ideias ficam no mesmo lugar, não evoluem. Quem repete permanece no mesmo círculo de ideias e faz o texto circular em torno de um mesmo tema, sem sair do canto.

7 - As longas intercalações entre sujeito e predicado, por fazerem o leitor esquecer o que o que foi dito no início, levando-o a suspender a leitura e ter de reler toda a frase, o que termina prejudicando a compreensão do texto como um todo, devem ser evitadas.

8 - Evite exageros. A hipérbole é o pior entre os piores pecados que podem acometer um escritor em todos os tempos.

9 - É mister escoimar o texto de vocábulos preciosos ou pernósticos. O uso de tais palavras é próprio dos alarves e apedeutas. Indica, outrossim, uma mente deslumbrada com as reverberações de um saber despiciendo, que leva a conclusões inanes sobre os transcendentais enigmas do Homo sapiens

10 - Prefira a linguagem denotativa; ela é um lago transparente de onde emerge com clareza o sentido das palavras.

11 - Evite em seu texto manifestar preconceito contra as mulheres. Do contrário, elas vão reclamar de você o tempo todo sem lhe dar chance de se defender. Mulhertodo o mundo sabe – não tem paciência para compreender as razões do outro e termina transformando o que deveria ser um diálogo esclarecedor num monólogo interminávelem que, obviamente, ela fala.  

12 - Medite nesta verdade preciosa: rima é bom em poesia, não em prosa.

13 - Fuja dos enunciados vagos e genéricos. Eles dão aquela sensação de algo que não se sabe bem o que é, embora todos de alguma forma tenham sentido em certos momentos da vida. Alguns têm disso uma longínqua ideia, mas conseguem defini-la em determinados contextos ou por algum tipo de sugestão diferente da que experimentaram no início, antes de tudo fazer sentido. Ou não.

14 - Ao estar fugindo do gerundismo, você não estará fazendo mais do que sua obrigação. Vá ficando atento.

15 - Você acha que o excesso de perguntas retóricas torna mais eficiente o seu texto? Será que elas necessariamente facilitam o diálogo com o leitor? Ou podem deixar o discurso redundante, sugerindo questões que na verdade não existem? Não será melhor usar frases afirmativas, deixando logo claro o que se quer dizer?

16 - Portanto, não inicie o texto pela conclusão. Comece-o mesmo pelo começo, apresentando o tema e depois os argumentos.

17 - Um texto com excesso de “quês” parece que tropeça a cada momento e mostra que a pessoa que o produz tem que melhorar o ouvido.

18 - Sem essa de gírias, mano. Se você é um mané que se amarra nesse tipo de coisa, vai levar bronca do pessoal da norma culta. Com certeza.

19 - Seja evitado em sua redação o excesso de voz passiva analítica, para que você não seja visto pelo leitor como alguém a ser desprezado.

20 - É bom moderar o uso da mesóclise. O bom escritor evitá-la-á em nome da simplicidade, pois a colocação do pronome no meio do verbo trar-lhe-ia aspereza acústica e transformá-lo-ia num monstrengo aos ouvidos de hoje.

21 - Evite fragmentar o período. Pois isso é uma grave falha. Gramatical e estrutural.

22 - Evite as generalizações. Todos os que até hoje generalizaram foram repreendidos por seus professores de português.

23- Sei que é difícil fugir das frases feitas, mas faça um esforço. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

domingo, 4 de setembro de 2016

Autoajuda e sinceridade

          Houve uma época em que me passou pela cabeça escrever livros de autoajuda. A justificativa para isso, confesso, não era das mais nobres. Como os autores desse tipo de literatura vendiam muito, pensei em me arriscar no gênero para, quem sabe?, robustecer minha conta bancária.
         Eu pensava que fazer livro de autoajuda seria fácil. Não precisava ser erudito nem conhecer profundamente filosofia, psicologia, antropologia ou qualquer outra dessas especialidades nobres. Bastava ter delas uma leitura superficial, algum bom senso e, claro, uma boa dose de esperteza.
         Nem me dei ao trabalho de ler os autores que faziam sucesso nesse departamento menor da literatura – Paulo Coelho, Augusto Cury, Zibia Gasparetto e outros frequentadores das listas dos mais vendidos. Até que tentei folhear um ou outro livro de alguns deles, mas não me empolguei. Achava o texto piegas, sem profundidade, ralo de substância humana.
Eu não precisava conhecer aquilo para dizer obviedades sobre as pessoas e levá-las a consumir o que eu escreveria. Bastava desfiar algumas platitudes sobre a vida e a morte, o amor e o dinheiro, o emprego e a famíliasempre com o cuidado de não complicar.
Não complicar” significava exaltar sempre o otimismo, a esperança, a alegria de viver, e sobretudo não estimular a reflexão. Alguém disse que pensar dói; geralmente quem esses livros não está a fim de desvendar em elucubrações tortuosas seus abismos interiores. Lê-os como quem vai a um fast-food do espírito, para ali pegar na medida exata sua ração de felicidade.
         Convencido dessas verdades, que pareciam extraídas de um manual de autoajuda para escritores, comecei o meu trabalho. Escrevi umas frases chochas sobre o poder do pensamento positivo e a permanência da magia no mundo técnico e frio de hoje.
Coisas do tipo “Se você quer, você pode”, ou uma coisa é proibida ao ser humano: desistir”. Inventei que um personagem vivido na Idade Média, Abhsalão, havia me aparecido em sonho e ditado os quatro passos para alcançar a felicidade (infelizmente me faltou imaginação para dizer que passos era esses, mas fiquei de pensar e escrever depois). Completei tudo com umas pitadas de marketing empresarial, encorajando os leitores a “agregar valor” a suas vidas.
         Depois de redigido um esboço do que seria meu livro, guardei o material por uns dias para depois o ler com distanciamento. Esse é, como se sabe, o grande teste que todo escritor faz. Pois bem, a leitura fria e distanciada foi uma decepção. Meus conselhos soavam pouco convincentes. Faltava sinceridade ao que eu dizia. Abhsalão, por exemplo, não se parecia nada com um mago medieval. Estava mais para personagem de programa de humor.
         Moral da história: ninguém escreve bem sobre aquilo em que não acredita. A partir daí passei a respeitar mais os autores de autoajuda. Eles podem ser rasos, medíocres, previsíveis, mas se têm sucesso é porque acreditam no que dizem.   

Eu sei que vou "mamar" (paródia)

 - para cantar com a melodia de “Eu sei que vou te amar”, de Tom e Vinicius - 

Eu sei que vou “mamar”
durante quatro anos vou “mamar”
faz parte dos meus planos me arrumar
bem descaradamente, eu sei que vou “mamar”.
 
E em cada verba que pegar
Eu tiro “o meu”   
que é para depois  
nutrir o Caixa Dois.

Sei que vou me fartar
do leite bom das tetas da nação
seja em contrato ou licitação 
que a gente arranja um jeito de fraudar. 

E sei que se escapar  
da Lava-Jato e de outros tiranos     
terei uma fortuna pra bancar  
mais outros quatro anos.

sábado, 3 de setembro de 2016

Sete frases sobre política (e políticos)

Buscar decência na política é como procurar castidade num prostíbulo.
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A política é um jogo de faz de contra.
                                                 ****
        A diferença entre o voto em branco e o voto válido é que, no primeiro, a decepção veio antes, e no segundo, virá depois.     
                                       ****
 A política é como as canções de melodias ruins. Depende sobretudo dos arranjos.
                                       ****
Político só não mente quando fala mal do adversário.
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Hoje, cada vez mais, os mandatos terminam em mandados.  
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A política é a arte de prometer mundos e ficar com os fundos.

Pílulas olímpicas (lembrando a Rio 2016)

Li que a brasileira Sarah Menezes usa a menstruação como arma no judô na Rio 2016. Essa é mesmo capaz de dar o sangue pelo esporte.
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Por causa daquele gol perdido contra a África do Sul, Gabriel Jesus vai acabar crucificado.
                                         ****                            
Gostei de Paulinho da Viola cantar o Hino Nacional. Melhor do que Alcione ou Fafá de Belém, por exemplo. Basta de brado retumbante! O hino pátrio deve ser cantando em surdina, todo em comoção interior, como fez o sambista da Portela.
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O que houve com Ryan Lochte merece que se atualize o provérbio. Nadou, nadou, e morreu na farsa. 
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Aquele jamaicano não corre; dá um Bolt. E quem puder que o segure!
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Marta e Neymar! Ambos têm “mar” no nome, mas parece que só o do segundo vai dar peixe... Saberemos amanhã, contra os alemães. 
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Parecia que a Olimpíada na Cidade Maravilhosa não ia dar certo. Quem apostou nisso errou, e Rio melhor quem Rio por último...
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Marta fez um apelo para que não deixássemos de estimular o esporte em que ela já foi a melhor do mundo. Vai ser difícil com o machismo da nossa cultura. Quando associamos “mulher” a “pelada”, duvido que alguém pense em futebol.
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A partir de amanhã, voltamos à vida real. Ao reverso das medalhas.