quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Rapidinhas sobre o Dia do Médico

Médico é o profissional que a gente sempre procura quando fica doente. E às vezes fica doente quando procura.
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A vocação, no médico, é uma plantinha que depois de cultivada vira plantão.
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Não falem dos médicos. Quando eles erram, não sabem o que estão fazendo.
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Certos médicos levam tão a sério a medicina como sacerdócio, que nos deixam próximos da extrema-unção.
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Costuma-se falar mal dos médicos, mas quando a doença se agrava é melhor ter por perto um deles do que um padre.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Médicos? Não!

Eles nos apalpam, furam, fazem-nos beber líquidos intragáveis e, ao mesmo tempo, proíbem-nos de comer comidas gostosas.  
São incansáveis bisbilhoteiros. Perguntam coisas íntimas como se quisessem desvendar nossos segredos – e o pior: anotam tudo numa ficha (para depois fazerem sabe-se lá o quê!).
Se metem na nossa vida amorosa, querendo saber se transamos ou não (às vezes até com quem). Restringem-nos o sexo quando gostaríamos de transar ou obrigam-nos a fazê-lo mesmo contra a vontade.
Interferem em nossos hábitos, mandando-nos permanecer na cama quando queríamos estar na rua. Ou andar, quando o bom mesmo era ficar em casa vendo televisão.
Medem nossa altura, avaliam nosso biotipo, implicam com o nosso peso, sugerindo que devemos diminuí-lo sem nem perguntar se estamos dispostos a isso. Por vezes ignoram a nossa fome.
Não têm respeito por medalhas, títulos, condecorações. Tudo que lhes interessa, em nossos ascendentes, é saber se padeciam de tal ou qual doença. Isso às vezes obriga a dizer, por exemplo, que um tio comendador sofria de flatulência (o que não fica bem para a imagem do morto).
Médicos? Sim! Sobretudo na hora de receber alta e ver que saímos da doença sãos e salvos.

domingo, 15 de outubro de 2017

Alunos

       Geralmente são os alunos que julgam o professor. Eles quase sempre o veem como um símbolo de poder e não perdem a oportunidade de lhe apontar manias, trejeitos, falhas físicas ou morais.
         Mas o oposto também é verdadeiro. O professor observa com espírito crítico seus alunos, conhece-lhes as virtudes e as mazelas. De tanto vê-los ao longo dos anos (pois, no fundo, eles são sempre os mesmos), sente-se até capaz de elaborar uma tipologia. E quais são os tipos mais comuns?
       Há o aluno esforçado, que não deve ser confundido com o inteligente. O esforçado é cuidadoso com as tarefas, copia tudo que é dito na classe e geralmente se senta na primeira fila. Faz questão da proximidade com o mestre, como se deste emanasse um fluido que lhe aprimorasse o espírito.
O esforçado procura superar com aplicação o que lhe falta em brilho. E por vezes se sai melhor do que o inteligente, que termina relaxando os deveres. Grande parte dos médicos, políticos e funcionários de carreira é feita de esforçados. Eles quase sempre vencem na vida, enquanto que o inteligente pode chegar a extremos de sucesso ou fracasso. Seu destino, como o da mulher muito bonita, é quase sempre uma incógnita.
Outro tipo interessante é o desafiador. Ele não está na classe para aprender, mas para encarar um duelo pessoal com o mestre. Por um ressentimento que Freud explica, tende a contestar tudo o que o professor diz. Talvez a origem dessa rivalidade, vá lá, seja complexo de Édipo mal resolvido; o desafiador tende a projetar no mestre seus conflitos com o pai.
Há o sossegado, para não dizer preguiçoso, que assiste às aulas pensando noutra coisa. Na balada do fim de semana, por exemplo. Ele estira as pernas e quase se deita na cadeira. Faz questão de conforto, pois é preciso compensar no corpo os penosos sacrifícios infligidos à mente.
Há os tímidos, que são quase todos. Esses enrubescem até quando respondem “presente”. A diferença é que uns enfrentam o olhar crítico dos colegas e dizem o que precisa ser dito, enquanto que outros penosamente se deixam emudecer.
Conheço bem esse tipo, pois fui um deles.

http://www.bookess.com/read/14324-a-idade-do-bobo-/

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sologamia

Uma italiana resolveu se casar consigo mesma (sologamia). Fico imaginando como deve ter sido a noite de núpcias.
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O inconveniente de se casar consigo mesmo é que não há possibilidade de sobreviver ao cônjuge. Em compensação, também não se padecem as agruras da viuvez.
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O pior não é se casar consigo mesmo. É chamar a ex-esposa para ser madrinha!
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A sologamia permite que se realize um apreciado mito romântico ligado ao casamento: o enterro dos dois no mesmo túmulo.
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Quem pensa que se casando consigo mesmo não corre o risco de ser traído, está enganado. A coisa mais difícil para o ser humano é ser fiel a si mesmo.


domingo, 10 de setembro de 2017

Diálogos (18)

-- Minha mulher disse que me ia me deixar se eu continuasse acordando tarde.
-- E o que foi que você fez?
-- Joguei fora o despertador...
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Na hora de pedir a cerveja, ele se confundiu:
-- Uma ruiva devassa.
Ou terá sido o inconsciente?
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-- Um tema de redação eu tenho certeza de que não cai no Enem: “Água”.
-- Por quê?
-- É fácil vazar!    
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-- Deixei o sexo de lado.
-- Eu também. Agora só quero fazer de frente.
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-- Você precisa correr das tentações, filho!
-- Eu tento, padre. Mas elas são mais rápidas...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Divagando se vai longe (8)

         O riso denota resignação diante do desespero. Ele pode existir mesmo no limite, quando não há mais saída. Ao pular de um prédio, o palhaço sonha fazer uma acrobacia para divertir quem porventura acompanhe sua queda. E o humorista deixa um bilhete para os familiares:
         -- Vou dar um pulinho lá fora e não volto.
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            Modernidade
-- Minha mulher me traiu!
-- Procure alguém e dê a ela o troco, ora!
-- Como? Foi com o meu namorado!
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A revista Língua Portuguesa (Segmento) fez uma pesquisa para saber qual a maior palavra do português. Quem pensou que ganharia “anticonstitucionalissimamente” se enganou. Essa ficou em segundo lugar, com 29 letras.
A campeã foi “pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico”. Ela tem 46 letras e designa “quem caiu doente por aspirar cinzas de um vulcão”.
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Antigamente se falava em “arroz de festa”, que era aquele personagem que comparecia a todos os eventos mundanos. Hoje ocupa o lugar dele o “arroz de foto”, cuja imagem se multiplica nas redes sociais.
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Conta-se que, ao saber do boato de que seria homossexual, Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) comentou:
-- O pessoal exagera um pouco...

Falando sério

    O Dia da Pátria merece uma reflexão, digamos, positiva. Nós brasileiros costumamos brincar com tudo (ou quase), mas chega o momento em que precisamos falar sério. Pois a verdade é que amamos o Brasil. Sonhamos deixar de lado o velho “complexo de vira-latas” e assumir o garbo varonil de um pit-bull (se exagero, permitam-me sonhar com essa possibilidade). Sou patriota (sem dar bandeira...), por isso encaro com otimismo e esperança as tenebrosas revelações que têm sido feitas sobre a corrupção.
          O que move um delator é em princípio o medo de ser preso (ou de continuar na prisão). Dá para entender isso. Afinal, uma cela de penitenciária não é o melhor lugar para receber a visita dos netos. Mas acho que a esse medo acrescenta-se outra coisa. Algo como a lenta percepção de que se chegou ao fundo do poço e está na hora de pelo menos tentar um basta. “Tentar”, para trazer alguma paz à consciência. O ser humano responde à atmosfera social, ao espírito do tempo, e todo esse atual empenho em investigar, acarear, punir acaba sensibilizando mesmo a consciência mais empedernida.
         Quem se dispõe a fazer um “pacto de sangue” para preservar seus cúmplices, o que não fará se for convencido de que a grande meta, o objetivo pelo qual realmente vale a pena morrer é harmonizar o bem pessoal com o da coletividade? É pensar nos outros? Acho que tudo ficará melhor se cada delator for com o tempo se revelando não um cético, não um cínico, não um prático -- mas um arrependido. Existe muito pecado do lado de cá do Equador, e o sentimento de culpa (quem sabe?) poderá salvar o Brasil.

Visita de aniversário